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Marques Mendes considera que as PME deveriam estar no centro da agenda económica do governo

19-10-2012

O apoio às pequenas e médias empresas (PME) deveria estar no centro da agenda económica do Governo, considerou Luís Marques Mendes, antigo líder do Partido Social Democrata (PSD), na sua intervenção que proferiu no encerramento da Conferência Internacional promovida pela NBB, dia 16, no Porto, e que assinalou o 10.º aniversário da empresa. O antigo líder social-democrata partilhou a sua visão sobre os vários assuntos da atualidade, sem esquecer as recentes medidas anunciadas pelo Governo, no âmbito do Orçamento de Estado para 2013, defendendo que «temos um problema de despesa a mais e não de receita a menos».

 

Discursando para uma assembleia maioritariamente constituída por empresários de PME portuguesas de todo o País, que se reuniram com partners da NBB para avaliar oportunidades de internacionalização e alternativas ao financiamento bancário para as suas empresas, Luís Marques Mendes lamentou o contraste entre o relevo dado às PME e às grandes empresas. «Até se fala das PME, mas dá-se maior importância às grandes empresas», referiu. A falta de financiamento às PME é uma realidade e «é uma questão nuclear para a qual é necessário encontrar alternativas», e, partilhou, «conheço testemunhos de inúmeras empresas de pequena dimensão com enorme potencial que se deparam com este problema».

 

O político considerou que o País tem «um problema seríssimo de competitividade» e que a solução destes problemas passa por «ter uma visão estratégica» porque, na verdade, «99% das vezes pensa-se apenas para se resolver questões urgentes, tapar buracos». «Somos um país do oito ao oitenta, a produzir somos comparáveis a um país pobre, mas a gastar é “à grande e à francesa”», referiu Marques Mendes, partilhando ainda que «faz impressão ver que há um aumento de verbas para a Defesa Nacional, matéria em que estamos melhor servidos que países como a Alemanha, a França, a Espanha ou a Itália».

 

«No que respeita à reforma do Estado, até agora o Governo fez zero, e se não fez no primeiro ano de governação, também não é agora que vai fazer», alertou o antigo líder do PSD, tendo criticado também que «há gente que acha que não deve haver austeridade nenhuma, mas a austeridade tem que existir, temos que acabar com a ideia de que existe alternativa a um caminho de austeridade, isso é ficção!». «Ao longo do caminho podemos mudar algumas coisas mas não podemos mudar de caminho, defendeu Marques Mendes.

 

«Estamos numa encruzilhada e o mais fácil é sermos pessimistas, mas não é tempo de estarmos concentrados no que é negativo, podemos ter mais autoestima», considerou Luís Marques Mendes, recordando que, apesar de tudo, «Portugal, de há um ano para cá, melhorou a sua imagem no exterior, houve já uma mudança devido aos sacrifícios que temos feito». «Devemos ter alguma dose de esperança, temos que olhar e falar dos bons exemplos de empresas como as que estão aqui presentes», salientou o antigo líder do PSD, enaltecendo o dinamismo e a iniciativa dos empresários, acrescentando que «uma coisa é ser pequeno, outra é ser irrelevante, e ser pequeno não é ser irrelevante».