O Instituto Franchising - Divisão de Pesquisas e Estudos fez um levantamento para saber quais são as principais angústias que um franqueador brasileiro enfrenta hoje em dia. A palavra que melhor descreve o sentimento da maioria é PERPLEXIDADE.
Assim como acontece com tantos empresários dos mais diversos ramos, muitos dos franqueadores simplesmente não compreendem porque técnicas que sempre deram resultado, de um momento para o outro deixaram de funcionar. Se sentem despreparados para a nova realidade. Percebem que os conhecimentos teóricos e práticos que acumularam ao longo dos anos já não bastam. E pressentem que a situação tende a se agravar. Um deles chegou a me dizer: “logo agora, que eu sei todas as respostas, veio alguém e mudou todas as perguntas”.
É isso aí: a gente pode gostar, ou não, mas o Brasil mudou. E continua mudando E o franchising também. A concorrência anda cada vez mais acirrada. Franqueados e candidatos a franqueados estão mais exigentes. Aliás, convém lembrar que isso não acontece apenas com relação ao franchising. Você mesmo, amigo leitor, que trabalha no varejo, já deve ter percebido que cliente aprendeu o valor do dinheiro. E sabe que pode exigir mais benefícios, mais valor, em troca do que paga. Como me disse outro dia o Joelmir Beting, o consumidor não está nem mais guardando dinheiro; está é colecionando. E como todo bom colecionador, hesita muito antes de trocar duas notas de cem por um par de tênis ou uma de 50 por uma camiseta ou algo assim.
O que acontece no mercado brasileiro de franquias não é novidade para quem leu o estudo do Professor Scott Shane, que leciona Empreendedorismo no M.I.T. - Massachussets Institute of Technology, traduzido e publicado pela Editora Cherto em 1996.
O Prof. Shane monitorou, ao longo de 10 anos, os 183 novos franqueadores que ingressaram no mercado norte-americano em 1983. E constatou que, desse total, apenas 25% continuavam saudáveis e concedendo franquias em 1993. Os demais, ou quebraram, ou foram cuspidos para fora do mercado.
E olhe que o período de 1983 a 1993 foi bom para a economia americana.
Portanto, fica provado, com fatos e dados, que numa economia estável, sem o tapete da inflação para baixo do qual a gente se acostumou a varrer o lixo da própria ineficiência, só os mais aptos sobrevivem. E o que é ser apto? É estar preparado para mudar a maneira de agir e até de pensar, sempre que as condições do mercado mudam.
Se os franqueadores brasileiros enfrentam novos desafios, que exigem conhecimentos mais profundos e novas ferramentas, se as técnicas que sempre utilizaram já não funcionam porque foram desenhadas para lidar com outro tipo de problemas, que tratem de buscar novos conhecimentos e novas referências. Que construam novas ferramentas.
Fazer cara feia e gritar não vai resolver coisa alguma.
Afinal, os dinossauros eram feios e urravam alto, mas acabaram indo para a cucuia. Porque não souberam se adaptar.
Não seja você também um dinossauro.
MARCELO CHERTO ([email protected]) é especialista em Canais de Marketing.
Marcelo Cherto