PTfranchising.com
Entrevistas

Uma Loja do Cidadão para empresas

15-09-2004

Uma Loja do Cidadão para empresas

Concentre-se no negócio e esqueça a burocracia. Em traços largos esta é a mensagem da Central Business que reúne off e online serviços inerentes ao processo de criação de uma empresa. José Soares Ferreira, o director-geral da empresa, nota que “muitas vezes há pouca ambição” mas prevê apoiar a criação de 100 a 150 empresas/ano.

Por Cristina Alexandra Ferreira


Como surgiu a ideia de criar a Central Business?
A Central Business surge de uma análise de mercado que nos levou a perceber onde não estava mais ninguém. Há várias empresas a trabalhar algumas vertentes dos serviços que prestamos, mas não havia quem se encarregasse de todos os serviços. Penso que nos podemos comparar com uma Loja do Cidadão para empresas.

Que serviços prestam exactamente?
O que pretendemos é responsabilizarmo-nos por toda a parte burocrática de criação de uma empresa, desde a documentação legal necessária, até aos cartões de visita, logótipo da empresa, pedido de linhas telefónicas, etc. A nossa especialização é o acompanhamento no processo de criação da empresa, mas podemos também acompanhar o cliente ao nível da consultoria, contabilidade, marketing ou comunicação depois de montado o projecto.

Sendo um conceito novo em Portugal, foi facilmente aceite pelo mercado?
Esse é um pouco o problema da inovação em Portugal. Quando estamos perante algo inovador as pessoas ficam um pouco reticentes, mas acho que temos conseguido comunicar bem a nossa oferta e os nossos serviços. Isto embora 2003 tenha sido um ano péssimo com a estagnação da economia. Quando estudámos a ideia em 2000 e 2001 os dados que tínhamos à disposição eram bem diferentes. Em 2000 nasciam em Portugal cerca de 50 mil novas iniciativas/ano, um número que agora se reduziu praticamente a metade.

É possível falar em empresa-tipo, entre os clientes da Central Business?
É difícil caracterizar as empresas com quem temos trabalhado. Não há uma empresa-tipo. No nosso portfólio temos empresas de áreas tão variadas como comunicação, construção civil, comércio de móveis ou tecnologia.

Que tipo de serviços procuram estas empresas?
A grande maioria são intervenções pontuais, embora no ano passado tenhamos acompanhado de forma continuada cerca de 20 empresas, a quem demos apoio de gestão à empresa e ao empresário na compra de produtos e serviços.
Temos preferência por projectos médios, mas estamos também a apurar uma nova área de serviço dirigida a projectos com baixa necessidade de capital e elevado potencial.

Pode detalhar?
Um cliente que tem uma ideia patenteável para a indústria e que não tem capital, pode procurar a nossa ajuda para registar a patente e constituir a empresa em troca de uma quota neste projecto. Para profissionalizar esta área, que hoje fazemos pontualmente, estamos a procurar parceiros que nos ajudem a criar uma capital de risco especializada em seed capital.
Acreditamos ser necessária maior rapidez de acção, períodos de análise dos processos mais curtos, quando estamos a falar de projectos que necessitam de investimentos relativamente baixos. 


Lançaram recentemente o portal empreendedores.com que disponibiliza informação vocacionada para a criação de empresas e um conjunto de serviços dirigidos a este tipo de processo. O que pretendem com esta versão online?
Temos tentado reorganizar a nossa oferta para o site. A ideia é adaptar a oferta que tínhamos offline a esta plataforma. Em pouco mais de um mês já ultrapassamos os 400 utilizadores registados, o que demonstra uma grande energia empreendedora que queremos saber aproveitar.

O portal disponibiliza um conjunto de testes relacionados com as características do empresário e dos projectos ou com a criação de planos de negócio, são ferramentas que já usavam offline?
Já. A área de consultoria e esses testes são o resultado dos nossos dois anos de trabalho em que detectamos algumas necessidades muito concretas. Fazer um plano de negócio, essencial para qualquer projecto, era algo que com qualidade exigia um investimento elevado. Percebemos que para pequenos projectos, em que o plano de negócio é para "consumo próprio" do empresário, podemos simplificar. O que fizemos foi criar um modelo de plano de negócio mais reduzido, concreto e dirigido ao próprio empresário. Nesta e noutras áreas a nossa preocupação tem sido criar produtos bem adaptados às necessidades do cliente.

Que balanço é possível fazer do funcionamento do portal?
O balanço é muito bom. Para nós é uma janela que nos permite comunicar com os nossos clientes. Para além dos contactos de cada uma das pessoas disponíveis para responder a cada questão, temos um serviço live help que permite ao cliente entrar em chat com o operador para esclarecer qualquer questão. Queremos dar ao cliente, sem sair do seu escritório, toda a informação necessária para o processo de criação de uma empresa e todos os serviços associados. Até agora tivemos 14.000 visitas – e só começámos no fim de Maio – para além de termos iniciado acompanhamento a 20 novas empresas.

 

TEXTO INTERGRAL EM FRANCHISING & NEW BUSINESS Nº 7