16-04-2008
- Com que objectivo e quem põe em marcha o projecto Charanga?
A Charanga foi criada com o desejo de dar ao comércio têxtil infantil, novas possibilidades de crescimento, com uma imagem diferenciada, com um produto exclusivo e com um apoio a partir da nossa central. Somos uma das empresas de “franchising” têxtil mais antigas de Espanha e temos sempre mantido o mesmo espírito inicial.
- Como surge a ideia de criar um sistema de “Franchising”?
Os fundadores da empresa vêem do mundo têxtil, mas da área da distribuição e das lojas multimarca. Cedo se aperceberam que esta via estava esgotada e que o que as pessoas queriam era um sistema exclusivo de monomarca. Por sua vez, viram que o sistema de franchising era a forma mais lógica de implementar o negócio, com as próprias pessoas envolvidas e que defendessem o negócio como próprio.
- Actualmente, que linha de produto desenham e como desenvolvem a sua fabricação?
Nós desenhamos um linha sport, muito divertida e com cor, conjugando sempre sintonias e cores nas diferentes famílias e colecções em função da moda do momento.
- Trabalham como empresa de confecção para outros fornecedores?
Nós trabalhamos exclusivamente para os nossos franchisados e para as nossas lojas próprias. Desde o início temos preferido dar esta imagem de exclusividade que beneficia os nossos franchisados e que a nós nos permite controlar melhor o nosso produto.
- Em que consiste o sistema de fornecimento dos produtos?
Para nós o fornecimento dos produtos é um dos pontos fundamentais do êxito da nossa empresa.
Dispomos de um sistema de stock e de logística, controlado por um importante sistema informático, que nos permite servir 500 lojas todos os dias. De qualquer forma e de uma maneira efectiva, fazemo-lo duas a três vezes por semana em função da época do ano em que nos encontramos. Aliás todos custos de transporte são pagos pela central, pelo que o franchisado obtém um serviço permanente e gratuito.
Acresce a isto, destacar que o franchisado deixa a mercadoria à consignação não tendo custo inicial, nem restos de stock de umas temporadas para outras.
- Pensam em ampliar a gama de produtos que oferecem?
Mais que ampliar a gama de produtos, pensamos ampliar as colecções com linhas diferentes de produto. Anteriormente comentei que o nosso estilo é mais desportivo e casual, mas começámos a ampliar a gama com uma linha mais clássica, que está tendo uma aceitação muito boa.
Também já estreámos toda uma linha de roupa interior e de pijamaria que tanto as nossas lojas pediram.
- Face à sua concorrência directa, como franchisador, que valores os diferenciam das outras marcas?
Suponho que de umas marcas nos diferenciam temas diferentes de outras, questões diferentes.
Em geral, creio que o nosso sistema de distribuição com vários envios semanais, a mercadoria à consignação, portes gratuitos, etc é uma das nossas vantagens em relação aos outros.
Também é importante que a percentagem de comissão seja de 40% das vendas, durante todo o ano, incluindo os saldos, pelo que é muito difícil não rentabilizar o negócio.
Também há que destacar o investimento que tanto os nossos franchisados como nós mesmos fazemos para manter e melhorar a imagem das nossas lojas.
Durante o ano de 2006 investimos mais de 3 milhões de euros nessa rubrica.
-Quantas lojas dispõem na actualidade e qual é o ritmo de aberturas?
Dispomos de 180 lojas entre próprias e franchisadas. Durante o ano de 2007 contratámos 19, algumas das quais encontram-se ainda em projecto.
Nos próximos anos pensamos abrir acima de 25 lojas anuais, tendo em conta que vamos apostar na expansão internacional.
- Pode explicar quais os protocolos de apoio ao franchisado?
Podemos afirmar que dos momentos mais importantes do ano, são as nossas convenções, quando os nossos franchisados passam um fim-de-semana nas nossas instalações de Málaga, onde falamos de todas as novidades da empresa, os pontos a melhorar, sugestões etc.
Contudo, a comunicação com o franchisado é permanente. Dispomos de 10 responsáveis de zona que visitam periodicamente as lojas para apoiar as suas necessidades. Dispomos de um Messenger interno de comunicação, além da comunicação telefónica permanente.
Também cada temporada são preenchidos formulários onde são valorados cada departamento da central, o produto e nos são feitas sugestões, sempre de uma forma coordenada para uma melhoria constante tanto das lojas como da central.
- Contam com os actuais franchisados para fazer novas aberturas?
Claro. Alias este ano três das lojas, foram contratadas com franchisados que já o eram.
- São as feiras de franchising um bom instrumento para vender a vossa marca?
Para nós, sempre tem sido um dos principais meios. De resto os que nos conhecem sabem que no SIF&CO estamos presentes desde as suas origens. Durante o ano de 2007 estivemos nas feiras de Valência, Madrid, Barcelona, Vigo e Lisboa. Creio que isto mostra o nosso interesse pelas feiras.
- Em que outros canais confiam?
Estamos ligados a diversos portais de franchising que nos enviam também bastantes candidatos, assim como a nosso próprio site. De qualquer forma, contamos muito com o boca a boca. A satisfação dos nossos franchisados transmite-se rapidamente e constantemente chegam-nos muitas pessoas interessadas porque conheceram algum franchisado. A imagem das nossas lojas e a publicidade que fazemos nas mesmas do nosso franchising são outras das vias de angariação.
- Qual é a composição dos vossos serviços centrais?
Na nossa central realizamos todos os processos excepto a produção. Há departamentos de administração, informática, logística, produto, desenho, patronagem, costura, produção, recursos humanos, jurídico, expansão (nacional e internacional), marketing, compras, análise de vendas, qualidade e desenho gráfico. Somos mais de 80 pessoas dedicadas exclusivamente às nossas lojas.
- A internacionalização é ainda um projecto pendente?
Faz 10 anos que temos lojas no estrangeiro mas de uma forma pontual. Agora é que estamos preparando realmente e de forma estudada a nossa expansão internacional com uma equipa dedicada exclusivamente a este assunto. Já temos bastante avançada a nossa linha de actuação.
- Ao fim de todos estes anos como analisa a evolução do franchising em Espanha?
Creio que o que mais chama a atenção é o” boom “ exagerado que houve quanto ao número de franchisings que operam no mercado. Penso que seguiu um pouco evolução da economia em Espanha, além do efeito balão que também se verificou e que pouco a pouco se irá esvaziando.
Parece que houve um momento que tudo era franchisável e criaram-se muitos franchisings sem bases sólidas que foram desaparecendo. Suponho que com o tempo cada um se colocará no seu lugar e sobreviverão as que têm trabalhado com seriedade e com horizontes de futuro.
Algo que me chama a atenção é a conotação negativa que ainda tem para muita gente o conceito franchising, com uma imagem negra que alguns franchisings criaram e que tem a ver com o que atrás referi ao falar em efeito balão.
Durante todos estes anos temos evoluído, temos aprendido e conhecemos melhor o que os franchisados procuram, por isso vejo um bom futuro para o franchising.